Sócio da Wepink já teve empresa com investigada por envolvimento com PCC

PARAÍBA JÁ

Sócio da Wepink já teve empresa com investigada por envolvimento com PCC
Foto: Reprodução

Agência Pública, por Ludmila Pizarro – Em 2017, no bairro do Cambuci, região Central da cidade de São Paulo, uma administradora de empresas desempregada abriu a primeira unidade de um salão de beleza. O negócio aparentemente trivial de Samara Cahanovich Martins, registrado sob o nome Samy Karen Lash Studio De Beleza Ltda, seria a pedra inicial de um império da beleza. Isso porque a Pink Lash, como foi nomeada a franquia, se tornaria um negócio milionário, funcionando em ao menos 12 endereços na Grande São Paulo de 2017 até hoje.

E mais: foi da Pink Lash que partiu um segundo negócio ainda mais superlativo, a rede bilionária de produtos de beleza Wepink, que tem entre os sócios a influencer Virginia Fonseca e o marido de Samara, o empresário Thiago Stabile.

A Wepink é uma das principais empresas de cosméticos do país. Segundo Virginia, o faturamento foi de cerca de R$ 1,3 bilhão em 2025. Essa cifra representa um crescimento de 73% em um ano, tendo em vista que ela declarou um faturamento de R$ 750 milhões em 2024 durante seu depoimento na CPI das Bets.

Agora, a Agência Pública descobriu que a Pink Lash contou com outra sócia, também famosa, mas que ganhou as manchetes por motivos diferentes: Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como a “Japa do PCC”. Samara, Thiago e Karen foram sócios na Pink Lash. Entre dezembro de 2017 e novembro de 2021, Karen participou de pelo menos quatro empresas ligadas ao negócio de cílios postiços.

O apelido “Japa do crime” surgiu após Karen ser presa em flagrante em fevereiro de 2024, em uma investigação sobre lavagem de dinheiro e associação criminosa. “A prisão ocorreu após o cumprimento de mandados de busca e apreensão domiciliar expedidos nos autos […] a fim de dar prosseguimento à investigação”, segundo o inquérito policial. Na ocasião, foram apreendidos em sua casa mais de R$ 1 milhão e 50 mil dólares em espécie, além de um automóvel da marca Audi. Em março daquele ano, ela passou a cumprir pena domiciliar após alegar a necessidade de cuidar do filho, menor de idade.

O advogado responsável pela defesa de Karen, Telles Rodrigo Gonçalves, confirmou à Pública que ambas foram sócias na Pink Lash. “A Karen e a Samara iniciaram a sociedade em 2015 e fundaram a empresa Pink Lash, ficaram com a sociedade até 2021, onde venderam quase 100 lojas pelo Brasil todo espalhando a marca”, informou. Ele também encaminhou imagens de Karen com Samara em lojas da Pink Lash.

Karen é viúva de Wagner Ferreira da Silva, o “Cabelo Duro” – que chegou a ser apontado pela Polícia Civil de São Paulo como “um dos principais representantes da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) na região da baixada santista”. Ele foi executado em 2018, após ser acusado de envolvimento na morte de dois homens, supostamente membros do PCC.

As investigações contra Karen afirmam que, após a morte de Silva, “ela abriu a empresa KK Participações e passou a exercer uma movimentação financeira incompatível com o seu patrimônio anterior, de modo a demonstrar a lavagem de patrimônio ilícito deixado pelo seu então companheiro”.