Executivos da J&F ocultaram ‘fatos relevantes’ nas delações, diz desembargadora

A desembargadora Mônica Sifuentes, do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), afirmou em despacho que os executivos do grupo J&F ocultaram “fatos relevantes” nas delações premiadas.

Diante disso, argumentou a desembargadora, foram determinadas as prisões de 19 pessoas nesta sexta-feira (19) na Operação Capitu, deflagrada pela Polícia Federal para apurar fraudes no Ministério da Agricultura.

Entre as pessoas presas estão Joesley Batista e Ricardo Saud, executivos do grupo J&F que fecharam acordo de delação com o Ministério Público Federal.

“Ao que parece, e à primeira vista, [os delatores] na verdade estão direcionando a atividade policial e investigatória para aquilo que lhes interessa revelar, ocultando fatos relevantes para o esclarecimento da atividade criminosa que se instalou no âmbito da administração pública federal”, afirmou.

Segundo os advogados de Joesley Batista, as investigações da operação começaram justamente a partir dos depoimentos do empresário. Alegam ainda que ele não poderia ser preso em razão de o acordo de delação prever imunidade. A TV Globo não localizou o advogado de Ricardo Saud.

Joesley Batista (esq.) e Ricardo Saud (dir.) — Foto: Dida Sampaio/Estadão ConteúdoJoesley Batista (esq.) e Ricardo Saud (dir.) — Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Joesley Batista (esq.) e Ricardo Saud (dir.) — Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Acordo de delação

Joesley Batista e Ricardo Saud fecharam acordo de delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

Os acordos chegaram a ser homologados (validados) pelo Supremo Tribunal Federal, mas a Procuradoria Geral da República (PGR) pediu a rescisão argumentando que informações foram omitidas, o que os delatores negam. A decisão cabe ao STF e não tem prazo para ser tomada.

Ao autorizar a prisão de Joesley e de Saud, a Justiça também expediu mandados de prisão contra outros dois delatores da J&F, Demilton Castro e Florisvaldo Oliveira, que não tiveram o acordo de delação questionados pela procuradoria.

Pedidos de prisão

A Polícia Federal havia pedido à Justiça a prisão preventiva (sem tempo determinado) dos executivos da J&F e do ex-deputado Eduardo Cunha, mas a desembargadora Mônica Sifuentes autorizou a prisão temporária (cujo prazo é de 10 dias).

Sobre os ex-ministros da Agricultura Antonio Andrade e Neri Geller, também presos nesta sexta-feira, a PF pediu – e a desembargadora aceitou – a prisão temporária deles.

Além disso, a PF pediu o afastamento do deputado estadual João Magalhães (MDB), mas a desembargadora determinou a prisão temporária.

Entenda o caso

Batizada de Capitu, a operação deflagrada nesta sexta-feira é um desdobramento da Lava Jato e foi realizada em conjunto com a Receita Federal.

A operação é baseada na delação de Lúcio Funaro, apontado pelos investigadores como operador do MDB. Na delação, Funaro disse que a JBS, que pertence à J&F, deu R$ 15 milhões para o diretório nacional do MDB e mais R$ 15 milhões para o diretório mineiro do partido.

Na delação, Funaro também disse que Antonio Andrade, atual vice-governador de Minas Gerais, foi indicado para o Ministério da Agricultura pelo grupo político de Eduardo Cunha. Em troca, diz o delator, ajudava no esquema que beneficiou a JBS.

Segundo as investigações, quando era ministro, Andrade teria beneficiado a JBS ao determinar a regulamentação da exportação de despojos (parte do boi não consumível); a proibição do uso da ivermectina de longa duração (antiparasita); e a federalização das inspeções de frigoríficos.

Em troca dessas medidas, ainda de acordo com as investigações, a JBS teria pago R$ 7 milhões.

G1 não localizou a assessoria do vice-governador de Minas até a última atualização desta reportagem.

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