Vídeo: médicas do ISEA de Campina protestam contra assédio e cobram uma posição da gestão Romero

Ontem (07.08.2020), médicas do Instituto de Saúde Elpídio de Almeida(ISEA) em Campina Grande, promoveram um ato de protesto, contra atos de assédio moral que estaria ocorrendo dentro da maternidade sem a devida repressão por parte da diretoria do instituto que é indicada pelo prefeito Romero Rodrigues (PSD).

No ato a obstetra Bianka Manhães ficou em frente do protesto das mulheres, na área externa do Instituto de Saúde Elpídio de Almeida(ISEA), em Campina Grande. As manifestantes, que representam movimentos de defesa das mulheres, estão participando, com máscaras e mantendo o distanciamento social.

Tudo aconteceu após um médico que trabalha na unidade, dizer em um grupo de whatsapp, que o “ISEA é um cabaré cheio de putas”, e desferir palavras de baixo calão às mulheres que trabalham na unidade. Várias profissionais já anunciaram que formalizaram uma denúncia no Ministério Público da Paraíba(MPPB), e vão interpelar o Conselho Regional de Medicina da Paraíba(CRM-PB), para que tomem as providências.

Também foi protocolado um abaixo-assinado, que foi encaminhado à secretaria municipal de saúde e a direção do ISEA, para adotar as medidas cabíveis.

Veja abaixo, um vídeo da movimentação na parte externa do ISEA:

Confira na íntegra a fala da médica que cobra uma posição da diretoria do ISEA:

“Nós médicas do ISEA estamos vindo a público para denunciar as graves agressões verbais, o assédio moral de que fomos vítimas nesta última madrugada, por uma pessoa que não posso considerar médico, vou dizer uma pessoa que tem CRM e que, na verdade, há muitos anos vem se comportando de uma forma extremamente agressiva com mulheres, com esse tipo de assédio moral, agressões verbais, comentários gordofóbicos. Uma pessoa que manifesta sua má vontade com o trabalho e falta de compromisso com o ISEA, que sempre se recusa, principalmente de madrugada, a comparecer para os procedimentos para os quais é requisitado, e que, quando os plantonistas são homens, ele até discute, mas ele se comporta de uma forma, digamos assim, mais cordial.

Mas, quando somos nós mulheres que estamos no plantão, ele realmente nos ataca e, praticamente, todas temos relatos desse tipo de agressão e, chega! Na última madrugada, isso chegou a uma proporção inconcebível, quando essa pessoa afirmou que todas as médicas do ISEA seriam […] e que estariam tentando transformar o ISEA em um grande […] e saiu aos gritos ofendendo todas as médicas. E, quando nós, manifestamos o nosso repúdio e indignação diante de tal conduta, e comunicamos a nossa intenção de fazer todos os procedimentos que estamos conduzindo, como boletim de ocorrência, abaixo assinado, comunicação à direção do hospital, encaminhamento ao CRM, essa pessoa passou o dia nas dependências do ISEA com mais agressões verbais, inclusive dizendo que eu seria uma louca e ameaçando me processar.

Eu devo dizer ao senhor, que eu não citei nomes em nenhum momento, nos meus pronunciamentos nas redes sociais e, se o senhor vestiu a carapuça, é porque o senhor está gerando provas contra si mesmo. Eu não tenho medo de homem, eu não tenho medo de cara feia. E eu não disse uma única palavra que eu não estivesse sendo assessorada por minha equipe competente de advogados. E, chega! A gente não vai mais tolerar isso. Foram anos e anos em que muitas e muitas mulheres foram vítimas de suas agressões e a gente sabe a que nível elas chegaram. Estamos agora todas unidas e chega de assédio, somos todas médicas, merecemos respeito. Somos todas médicas do ISEA e, mexeu com uma, mexeu com todas. Contra qualquer forma de assédio”.

Redação

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